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O Rio de Janeiro destaca a importância do saneamento na preparação das cidades para os desafios climáticos

by Felipe Brito

Com investimentos de mais de R$ 5,1 bilhões em projetos de expansão e melhorias de saneamento nos últimos quatro anos, que inclui a utilização de um satélite para localizar vazamentos de água no subsolo das cidades, o Rio de Janeiro avançou em frentes decisivas. Ações de recuperação de ecossistemas vitais, como a Baía de Guanabara, e a expansão de projetos reuso de esgoto tratado consolidaram o estado como um dos principais exemplos de como o saneamento básico pode fortalecer a resiliência climática das cidades brasileiras.

No estado do Rio de Janeiro, onde a pressão sobre os mananciais, como a Bacia do Guandu, é intensa e comunidades vulneráveis convivem há décadas com deficiências históricas no saneamento, a Águas do Rio, empresa da Aegea, vem implementando projetos estruturantes com potencial de referência nacional. A urgência dessas iniciativas cresce diante das mudanças no regime de chuvas, das secas severas e das tempestades extremas, que exigem respostas capazes de proteger a população, a economia e o meio ambiente.

Um dos maiores desafios da concessionária é o alto índice de perdas de água tratada, que chega a 65% em determinados trechos do estado, maior que a média nacional de 40%. Tubulações antigas e sem manutenção são alguns dos motivos para tamanho desperdício. Para enfrentar o problema, a concessionária adotou uma tecnologia inédita no país: o uso de um satélite originalmente usado para detectar água em Marte passou a mapear vazamentos invisíveis a até 3 metros de profundidade, escondidos sob muitas camadas de concreto. Apenas em 2024, a tecnologia evitou o desperdício de 18 bilhões de litros de água, volume suficiente para abastecer mais de 300 mil pessoas durante um ano.

Outra frente de destaque em andamento é o projeto da Aegea, holding da Águas do Rio, que busca tornar o estado uma referência em sustentabilidade por meio da produção e distribuição de água de reúso para a indústria. A técnica, já adotada em diversos países, transforma o esgoto tratado em recurso hídrico para fins industriais. Com isso, a água dos mananciais não rivaliza com o abastecimento da população. No Rio, o Complexo de Energias Boaventura, em Itaboraí, e a planta da Braskem, em Duque de Caxias, passarão a usar água de reúso produzida nas estações de tratamento de esgoto da concessionária.

“Quando gerimos melhor a água, garantimos a segurança hídrica não apenas dessa geração, mas das próximas gerações”, afirmou o diretor-presidente da Águas do Rio, durante participação na COP 30.  Segundo ele, o que antes era visto como abundante, hoje exige uso inteligente e cada vez mais sustentável. “A utilização do efluente tratado nas ETEs como novos recursos hídricos para a indústria mostra como o saneamento pode ser uma das mais importantes ferramentas de adaptação climática das cidades, especialmente em regiões com estresse hídrico”, finalizou.

Metas da concessão

No contrato, até 2033, a Águas do Rio precisa reduzir a perda de água tratada para 25%. O prazo e a meta estão alinhados ao Marco Legal do Saneamento, legislação que estabeleceu objetivos para o setor e ampliou a possibilidade de investimento privado. Pela lei, esse também é o ano em que o Brasil deve alcançar 99% da população abastecida por água tratada e 90% com coleta de esgoto.

Desde o início da operação, em 2021, a Águas do Rio já investiu R$ 5,1 bilhões em melhorias que beneficiaram 10 milhões de pessoas. Até 2033, estão previstos R$ 19 bilhões em investimentos, parte de um total que deve chegar a R$ 40 bilhões ao fim da concessão.

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