Na cidade do Rio de Janeiro, há uma história que mistura fé, administração pública, política e humor involuntário. Conta-se que Santo Antônio, além de santo venerado, teve uma carreira militar oficial, recebendo soldo do Estado para proteger a cidade. Essa devoção remonta aos primeiros séculos da colonização, quando o então governador da capitania o recorreu como padroeiro espiritual durante uma ameaça de invasão francesa em 1710.
A partir de 1711, Santo Antônio passou a figurar oficialmente nas patentes militares e a receber soldos equivalentes aos oficiais de infantaria. Essa relação simbólica durou muitos anos, chegando até a República, quando em 1923 o pagamento foi interrompido. A devoção ao santo permanece viva no Convento Santo Antônio, no Largo da Carioca, como testemunho desse passado singular. A história revela a peculiar combinação de pragmatismo e poesia, representando a convivência entre o divino e o estatal ao longo da história do Rio de Janeiro.