O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), fez duras críticas em relação à segurança pública durante o Seminário Esfera Rio de Janeiro 2025, realizado nesta sexta-feira (28/11). Para ele, o debate atual sobre o tema é considerado “sem sentido” e “inconsequente”. Paes destacou que a recente megaoperação no Complexo do Alemão e na Penha, que resultou em 122 mortes, gerou um novo embate entre direita e esquerda. As declarações foram feitas durante o evento.
O prefeito afirmou que parte da discussão pós-operacional está sendo motivada por vaidade e competição entre autoridades, em busca de destaque na mídia. Segundo ele, houve mais uma “disputa de protagonismo” do que uma análise séria sobre como lidar com o crime organizado.
Paes criticou a ideia de que a presença de criminosos armados nas favelas seja apenas uma questão social, afirmando que não é aceitável justificar a posse de armas de alto calibre dessa forma. Ele ressaltou que pobreza e criminalidade não devem ser equiparadas, defendendo a intervenção do Estado quando confrontado por grupos armados. “O Estado não deve buscar matar outras pessoas, mas tem o direito de acabar com a violência quando confrontado”, destacou.
O prefeito também chamou a atenção para o fato de que o Rio de Janeiro não é a cidade mais violenta do país, apesar de enfrentar sérios problemas de segurança. Ele mencionou que existem 19 capitais mais violentas do que o Rio e criticou a atenção excessiva que a cidade recebe em debates nacionais sobre segurança pública.
Paes defendeu a necessidade de combater não apenas os grupos armados, mas também as estruturas financeiras que os sustentam. Ele citou operações em São Paulo e destacou a importância de prender criminosos que atuam na linha tênue entre o crime e o mercado financeiro.
O prefeito ressaltou que os moradores de favelas e bairros populares são os principais afetados pela violência, afirmando que o domínio de facções criminosas não se restringe mais apenas às comunidades em áreas de morro. Ele encerrou seu discurso cobrando menos discurso e mais ação coordenada entre os diferentes níveis de governo para combater a criminalidade que impacta a liberdade e o direito de viver dos cidadãos.