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Centro de Análises Forenses da UFRJ se destaca como líder em investigação química e análises forenses no Brasil.

by Felipe Brito

Quando se fala em ciência forense, muita gente imagina cenas de séries de TV em que um fio de cabelo resolve um caso inteiro. A rotina real é outra. As análises forenses envolvem métodos que permitem comprovar evidências, compreender eventos e orientar investigações. Técnicas de alta precisão, voltadas a diferentes matrizes, dão sustentação a pesquisas e estratégias de combate ao crime.

Na UFRJ, esse trabalho ganha força no Núcleo de Análises Forenses (NAF), instalado no Ladetec, no campus da Cidade Universitária. Idealizado em 2001 e em funcionamento desde 2018, o Núcleo combina infraestrutura moderna, formação acadêmica e aplicação prática. Coordenado por Gabriela Vanini, doutora em Química e professora da universidade, o grupo reúne pesquisadores de iniciação científica a pós-doutorado de áreas como química, biomedicina, farmácia e engenharia. O objetivo é desenvolver métodos de análise, identificar compostos e interpretar dados produzidos por equipamentos de alta resolução.

O NAF atua em frentes distintas: identificação de substâncias psicoativas em drogas de abuso, análises em sangue, cabelos e unhas, e investigação de petróleo derramado no meio ambiente. Fornece suporte técnico e científico a instituições como Sepol, IML, Fiocruz e Ibama, sem produzir laudos ou apontar culpados. “Se o resultado que vamos gerar vai vir a incriminar alguém, não cabe a gente chegar a esse viés. Somos professores, alunos e pesquisadores e geramos informações”, explica Gabriela.

No acordo com a Polícia Civil do Rio, o núcleo mapeia substâncias psicoativas presentes em amostras apreendidas. Muitas delas são modificadas com rapidez pelo mercado ilícito, o que exige identificação contínua para subsidiar processos criminais. Em outro projeto, desenvolvido com a Secretaria de Saúde e a Fiocruz, o grupo analisou inalantes ligados a um número elevado de óbitos. Ananda da Silva Antonio, pesquisadora do NAF, identificou 166 substâncias tóxicas em 16 amostras. “Durante a análise, quando injetamos uma das amostras em um dos equipamentos, a parte metálica do instrumento foi degradada, oxidou”, relata.

A parceria com o IML resultou em uma inovação aplicada à toxicologia forense. O grupo desenvolveu um método de microextração para investigação de benzodiazepínicos em cadáveres, reduzindo drasticamente o volume de sangue e de solventes utilizados. A técnica, coordenada por Cecília de Andrade Bhering, já foi incorporada ao trabalho do instituto.

O NAF também esteve envolvido em casos de grande repercussão, como a suspeita de envenenamento por chumbinho em 2022. As amostras, extremamente diluídas, demandaram respostas rápidas. O grupo concluiu as análises em 24 horas a pedido da polícia. O trabalho originou artigo na ScienceDirect.

No campo ambiental, a colaboração com o Ibama busca padronizar métodos de investigação de petróleo derramado. O projeto está criando a “Oleoteca de referência para vazamento de petróleo”, reunindo dados químicos de óleos brasileiros e seus biomarcadores — substâncias capazes de preservar a “impressão digital” do petróleo mesmo após exposição a condições adversas. A correlação entre os compostos permite rastrear a origem do material e apoiar fiscalizações e responsabilizações.

O NAF também investe em Inteligência Artificial. A ferramenta interna chamada Tartá organiza dados das análises e acelera a comparação entre novas amostras e o acervo já estudado, reduzindo o tempo de resposta e abrindo caminho para soluções tecnológicas voltadas ao combate de crimes ambientais.

A combinação de pesquisa, inovação e formação tornou o Núcleo uma referência nacional. Desde 2018, o grupo tem acumulado premiações em eventos científicos, como o XVI Congresso Latino-americano de Geoquímica Orgânica e o XVIII Encontro Regional da SBQ-Rio, além de menções honrosas na Siac 2025.

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