A maioria das obras no Rio não cumpre compensação ambiental por corte de árvores, aponta estudo

Dados oficiais recentes da Prefeitura do Rio de Janeiro revelaram que a maioria dos empreendimentos que recebeu autorização para cortar árvores na cidade não cumpriu a obrigação de realizar a compensação ambiental. De acordo com o levantamento realizado pelo município, apenas 12% dos projetos comprovaram o plantio das mudas exigidas, enquanto 88% não cumpriram ou não finalizaram a reposição da vegetação.

A legislação municipal permite a supressão de árvores contanto que o empreendedor plante um número maior de árvores em outra área da cidade. No entanto, a falta de transparência na fiscalização do cumprimento dessas medidas tem sido um problema. O Conselho Municipal de Meio Ambiente tem solicitado essas informações à Prefeitura desde 2023, mas sem sucesso.

O número de remoções de árvores cresceu significativamente. Em 2021, foram retiradas 5,2 mil árvores. Já em 2024, esse número saltou para 13,3 mil, representando um aumento de 151%. No total, mais de 175 mil mudas deveriam ter sido plantadas, porém não há dados públicos que confirmem se essa compensação foi realizada. Até o final de julho de 2025, foram cortadas 6,7 mil árvores, o que exigiria o plantio de mais de 34 mil mudas.

A Zona Oeste é a região mais impactada, com o bairro de Inhoaíba liderando as perdas de cobertura vegetal, seguido por Campo Grande, Barra da Tijuca, Guaratiba e Camorim. Essas áreas também abrigam parte dos empreendimentos que mais cresceram nos últimos anos na cidade.

A falta de transparência chamou a atenção do Ministério Público, que exigiu explicações formais da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima, estabelecendo um prazo para que a prefeitura apresente soluções. Em resposta, o município se comprometeu a desenvolver uma nova plataforma de monitoramento permanente das compensações ambientais.

Um projeto de lei foi apresentado na Câmara Municipal com o objetivo de tornar obrigatória a divulgação desses dados. A prefeitura afirmou ter intensificado a fiscalização, revisado os prazos e ampliado o acompanhamento técnico, além de prometer uma maior integração entre as equipes responsáveis pela avaliação e vistoria das compensações ambientais.

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