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Prefeitura do Rio recebe grande número de queixas sobre estacionamento irregular e ausência de reboques nas ruas

by Felipe Brito

Andar pelas ruas do Rio de Janeiro tem se tornado quase uma batalha diária. Entre calçadas desniveladas, buracos e falta de manutenção, o carioca precisa redobrar a atenção a cada passo. Mas esses não são os únicos problemas enfrentados por quem circula pela cidade. O estacionamento irregular de veículos em calçadas, esquinas e áreas proibidas lidera as reclamações feitas à Prefeitura do Rio em 2025.

De janeiro a setembro, foram registradas 138.168 denúncias de estacionamento irregular na Central de Atendimento 1746 — uma média superior a 500 por dia. A infração tende a se intensificar no fim do ano, com a chegada do verão, as compras de Natal e o aumento da circulação em áreas de comércio e lazer.

Apesar de o município contar com um contrato que prevê a operação de até 33 reboques nas ruas para combater o estacionamento irregular, uma ata publicada no Diário Oficial, na semana passada, revelou que, na prática, apenas de dois a cinco guinchos estariam em circulação para atender toda a cidade.

Hoje, o Rio possui aproximadamente 3,2 milhões de veículos emplacados. Em reunião com técnicos da Prefeitura, o subsecretário de Gestão da Secretaria de Ordem Pública (Seop), Rodrigo Arnault Schwartz, reconheceu que a baixa atuação dos reboques impacta diretamente a arrecadação do Fundo Especial de Ordem Pública, criado em 2018 para equipar e fortalecer a Guarda Municipal.

Até o fim de outubro, o fundo arrecadou cerca de R$ 11 milhões, valor abaixo dos R$ 17 milhões previstos na Lei Orçamentária. A principal fonte dessa receita é justamente o recolhimento de veículos em situação irregular.

Em resposta ao O Globo, o secretário de Ordem Pública, Marcus Belchior, reconheceu falhas na operação dos reboques, mas afirmou que o problema foi pontual. “A quantidade de reboques que temos é suficiente para atender às demandas. Quando não é possível rebocar, aplicamos multas ao motorista infrator. Sabemos que há falhas na operação, e a empresa tem sido multada e tem valores do contrato glosados (não pagos) por causa disso”, afirmou.

O contrato atual foi assinado em agosto de 2024 com a empresa Efatá Comércio e Serviços Ltda, responsável pelo fornecimento dos guinchos, e tem validade de dois anos. O custo total previsto é de R$ 19,1 milhões. Desde abril, porém, a empresa foi multada seis vezes, somando cerca de R$ 185 mil, por descumprimento das cláusulas contratuais.

Em agosto, a Prefeitura tentou abrir uma nova licitação para substituir a empresa, mas não houve interessados. Segundo Belchior, o município estuda um novo modelo de contratação e a expectativa é que a situação seja regularizada até o fim do primeiro trimestre de 2026, com ampliação da frota para até 40 reboques.

Enquanto isso, dados da própria Seop apontam uma queda expressiva no número de veículos removidos aos depósitos públicos, localizados no Andaraí e em Guaratiba. Em outubro deste ano, apenas 20 veículos foram listados em edital oficial — um número bem inferior ao registrado no mesmo período em anos anteriores: 183 em outubro de 2024 e 147 em outubro de 2023.

O problema também afeta a região do Morro da Viúva. Fernando Moreira, presidente da Associação de Moradores do Morro da Viúva (Amov), afirma que a falta de guinchos deixou o bairro ainda mais vulnerável ao estacionamento irregular e à ação de flanelinhas.

“Antes, sempre havia dois ou três reboques próximos à região. Hoje, quando aparece um, já é muito. E há uma atuação cada vez maior de flanelinhas que orientam motoristas a parar em locais proibidos, sobretudo nas avenidas Rui Barbosa e Oswaldo Cruz e nas praças do entorno”, denuncia ao Jornal O Globo.

No Aterro do Flamengo, a situação se repete. No início deste ano, o Diário presenciou um caso em que um flanelinha cobrou R$ 50 de um motorista, garantindo que ele não seria multado ao estacionar em um local proibido. Ao retornar, o condutor encontrou uma notificação de infração, enquanto o flanelinha havia desaparecido do local.

A operação dos reboques no Rio já é alvo de controvérsias há anos. Em 2022, após denúncias e acusações de corrupção envolvendo a antiga empresa responsável pelo serviço, a Prefeitura rompeu o contrato com a J. S. Salazar, vigente desde 2018. Na época, a empresa recebia uma porcentagem sobre o valor arrecadado com remoção e diárias dos depósitos, modelo que foi substituído por um pagamento fixo, independente da quantidade de veículos rebocados.

Enquanto a cidade tenta encontrar uma solução definitiva, o cenário segue preocupante: ruas congestionadas, calçadas obstruídas, pedestres em risco e uma sensação crescente de impunidade para quem insiste em desrespeitar as regras de trânsito.

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