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Projeto inovador transforma mercado imobiliário da Gávea com ênfase em mobilidade e residências para estudantes.

by Felipe Brito

A Gávea, apesar de ser sede de uma universidade bastante prestigiada no país, nunca teve uma oferta consistente de moradias compactas voltadas para estudantes. Enquanto outros locais acadêmicos no Rio desenvolveram unidades pequenas, o bairro sempre teve mais imóveis familiares e caros. Em áreas como Maracanã, Ilha do Fundão e Seropédica, a presença de universidades estimulou o surgimento de moradias para estudantes que vêm de outras cidades e passam a semana longe de casa. Na Gávea, no entanto, essa oferta nunca se consolidou.

Uma das razões para isso sempre foi a demografia da PUC-Rio, que historicamente era composta principalmente por alunos que já moravam na Zona Sul. Mas essa realidade mudou. Atualmente, há um aumento no número de estudantes vindos do interior, de cidades da Região Metropolitana e de intercâmbios acadêmicos, para quem morar perto da universidade se tornou uma necessidade ao invés de uma conveniência. Dados do Inep mostram que 30% dos quase 5 milhões de estudantes matriculados em cursos presenciais no país precisam deixar suas cidades para estudar. E esse público não encontra na Gávea o mesmo mercado imobiliário funcional disponível em outros centros acadêmicos do Rio.

O lançamento que está mudando o cenário

Essa situação está começando a mudar com o lançamento do Gaví, que surge como uma resposta a essa demanda reprimida. A empresa Performance Empreendimentos escolheu a Marquês de São Vicente, em frente à PUC, para trazer ao bairro um produto até então escasso por ali: estúdios compactos voltados para estudantes, jovens profissionais e moradores que dependem de deslocamentos diários.

A localização também ganha importância devido à recente movimentação urbana. A futura estação de metrô, aguardada por mais de uma década, está entrando na fase final de obras e deverá mudar a mobilidade da região nos próximos meses. Para o COO da Performance, Renato Leite, esse foi um fator crucial no momento do lançamento. Ele afirma que a inauguração da estação vai abrir “um novo ciclo de mobilidade, fluxo e valorização”, consolidando o Gaví como um ativo estratégico no novo cenário urbano da Gávea.

Casarão preservado e integração com o bairro

O terreno escolhido, com quase 3.800 metros quadrados, no número 208 da Marquês de São Vicente, é uma raridade na Zona Sul. No centro desse terreno, está um casarão histórico que por anos gerou preocupação entre moradores e estudantes com medo de demolição. No entanto, o projeto decidiu preservar a construção original, incorporar áreas verdes, respeitar o gabarito e manter a essência natural da região. Essa postura conquistou o apoio até da AMA Gávea, uma associação conhecida por ser rigorosa com intervenções urbanas.

A intervenção em andamento também está em sintonia com um debate urbano mais amplo: mobilidade, escala e o impacto das vagas de garagem. A Gávea enfrenta há anos um déficit de moradias porque terrenos disponíveis se tornam inviáveis quando os projetos tentam reproduzir o modelo antigo de apartamentos grandes com duas ou três vagas de estacionamento.

A chegada do metrô muda essa lógica e redefine o uso da cidade. As unidades do Gaví terão menos vagas de estacionamento, seguindo uma tendência mundial de reduzir a circulação de carros em bairros já consolidados. Isso reduz a pressão sobre o tráfego, mantém a atmosfera do bairro e permite preços compatíveis com o perfil de estudantes e jovens profissionais. Isso não se trata apenas de uma bandeira, mas de um zoneamento que começa a refletir a realidade da região.

Para a Performance, essa é uma mudança estrutural no mercado. A diretora comercial da empresa, Carolina Lindner, explica que eles priorizam produtos compactos, funcionais e integrados à vida cotidiana do bairro, geralmente em terrenos com história e potencial de transformação.

A preservação do casarão deu origem ao primeiro projeto de retrofit da incorporadora na Gávea. O espaço será reintegrado ao bairro como um Hub Criativo, oferecendo espaço de coworking, salas de reunião, cabines de videoconferência, estúdio de podcast, sinuca e até um mini-mercado. Desde o início, o imóvel foi tratado como um patrimônio do bairro, buscando “preservar a arquitetura original sem abrir mão da funcionalidade”, transformando um símbolo afetivo em convivência contemporânea.

Unidades, lazer e arquitetura moderna

O Gaví terá 189 unidades, incluindo estúdios de 30m² a 43m² e apartamentos de 1, 2 e 3 quartos com até 106m². A fachada, projetada pelo escritório A+ Arquitetura, segue a estética moderna de uma nova geração de projetos do Rio de Janeiro.

O rooftop contará com piscina e deck; no centro do projeto, haverá espaços dedicados ao lazer e bem-estar, como academia, áreas de yoga, crossfit, espaço de recuperação, sauna, área gourmet e lounge ao ar livre. O terreno será dividido entre o bloco principal, o casarão restaurado e a área verde nos fundos, um dos diferenciais do empreendimento.

Investidores e a tendência da autoquitação

A transformação do mercado na Gávea também está chamando a atenção de um novo perfil de investidores. Cada vez mais compradores, muitos brasileiros que vivem no exterior, estão utilizando uma estratégia que ganhou força nos últimos anos: adquirir uma unidade através de consórcio imobiliário, colocá-la para aluguel por temporada e usar essa renda para pagar as parcelas.

Esse modelo de “autoquitação” começou de forma discreta, mas agora está se consolidando como uma tendência e já está influenciando o design de novos empreendimentos na Zona Sul. No caso das unidades compactas, bem localizadas e com alto potencial de ocupação, esse modelo se mostra especialmente atrativo, fortalecendo a relação entre moradia estudantil, rentabilidade e transformação urbana.

“Um lançamento raro, em um terreno raro, para um público contemporâneo”, resume Lindner.

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